domingo, 26 de junho de 2011

O amor de Colombina

ARLEQUIM, sarcástico:

Não compreendo um Pierrot que não seja romântico, branco como o marfim, magro como um caniço, enchendo o mundo de ais, sem nunca passar disso.

PIERROT

Debochado Arlequim!

ARLEQUIM

Branco Pierrot tristonho...

PIERROT

Teu amor é lascívia!

ARLEQUIM

E o teu amor é sonho...


...


Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe

que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste...

Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso.

Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço

com cadências de vaga e, à luz do teu olhar,

tenho ânsias de dormir, para poder sonhar!

Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam!

São dois lábios de luz que as pupilas me beijam...

São dois lagos azuis à luz clara do luar...

São dois raios de sol prestes a agonizar...

Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade

de poluir com esse olhar a minha mocidade

aberta para ti como uma grande flor,

meu amor...meu amor...meu amor...


...

Fala mais, Arlequim! Tua voz quente e langue

tem lascivo sabor de pecado e de sangue.

O venenoso amor que tua boca expele,

põe-me gritos na carne e arrepios na pele!

Fala mais, Arlequim! Quando te escuto, sinto

O desejo explodir das potências do instinto,

O brado da volúpia insopitada, a fúria,

do prazer latejando em uivos de luxúria!

Fala mais, Arlequim! Diz o ardor que enlouquece

a amada que se toca e aos poucos desfalece,

e que, cega de amor, lábio exangue, olhar pasmo,

agoniza num beijo e morre num espasmo.

Fala mais, Arlequim! Do monstruoso transporte

que, resumindo a vida, anseia pela morte,

dessa angústia fatal, que é o supremo prazer

da glória de se amar, para depois morrer!


...


A Arlequim:

O teu beijo é tão quente...

A Pierrot:

O teu sonho é tão manso...

domingo, 19 de junho de 2011

Menino

Eu sei que deveria ter algo a declarar
mas nesse exato instante,prefiro me calar
Penso tanto e não conseguir distinguir
A velha mania de amar,ou de iludir

Sei o que quero,e sempre quero o que não sei
O que está perto não basta,e o que está longe já conquistei

Aquele menino idiota me mostrou
Que aquele sentimento estúpido voltou
Mas a vida já ensinou
Então vou passar por cima do que restou

Mania imbecil de se encantar

Mais uma vez, o coração bateu forte
E a minha perna tremeu
Como anos não sentia
O gelo do meu coração derreteu

Mas está bem conservado
Ainda dá pra usar
Mas vou manter congelado
Até a hora certa chegar

Sei que ainda não é ele
A quem eu devo me entregar
Não devo me deixar levar
Por seu olhar inocente

Mais o infeliz é diferente
De tudo que já provei
Me lembra insistentemente
Do primeiro que amei

Quando eu era uma garotinha apaixonada
Uma idiotinha gamada

Como pode,alguém fazer isso comigo
Mexer com algo tão íntimo

Maldito moleque,não vai me fazer ensandecer
Não perderei minha integridade
Por alguém que nem vai me merecer

Aquele rosto tão suave
Aquele olhar tão sutil
PUTA QUE PARIU

Eu me permiti cair nessa armadilha
E vou continuar nessa trilha

No final eu descubro se vou me foder.